Modelos e Exemplos

Relatório de avaliação de riscos psicossociais: exemplo comentado, seção por seção

Você precisa entregar a avaliação de riscos psicossociais de uma empresa e quer ver como fica um relatório completo antes de montar o seu. Este guia percorre as seis seções de um relatório real, explica o que cada uma precisa conter e mostra como o resultado entra no inventário de riscos e no plano de ação do PGR.

Resposta direta

O relatório de avaliação de riscos psicossociais reúne seis seções: caracterização da empresa e dos setores, identificação dos fatores de risco com um instrumento validado, avaliação dos riscos com critérios documentados, medidas de prevenção e controle, plano de ação em 5W2H e comentários dos trabalhadores. Se você quiser ver um exemplo preenchido, pode cadastrar uma empresa e gerar uma prévia simulada do relatório em minutos.

Relatório, laudo ou avaliação: qual documento a NR-1 pede?

A Portaria MTE 1.419/2024 incluiu os fatores de risco psicossocial no gerenciamento de riscos ocupacionais da NR-1. A norma não usa o termo "laudo psicossocial". O que ela exige é que a empresa identifique, avalie e trate esses fatores dentro do GRO, e que o resultado apareça nos documentos mínimos do PGR definidos pelo item 1.5.7 da NR-1: o inventário de riscos e o plano de ação.

O relatório de avaliação é o documento que registra esse processo do início ao fim: quem foi avaliado, com qual instrumento, com qual critério de classificação e quais medidas resultaram. Ele é a evidência técnica que alimenta o PGR. Quem elabora é o profissional responsável pela avaliação psicossocial, em geral o técnico ou o engenheiro de segurança que cuida do PGR da empresa. A NR-1 não exige que seja um psicólogo.

As seis seções do relatório, uma a uma

As seções abaixo seguem a estrutura de um relatório gerado pelo PGR Psicossocial, cuja capa traz o título "NR-1. Riscos Psicossociais. Relatório de Avaliação", o nome da empresa e a data da pesquisa. A ordem reflete o fluxo do GRO: primeiro o contexto, depois a identificação, a avaliação, as medidas e o plano.

1. Caracterização dos processos e ambientes de trabalho

A primeira seção identifica a empresa (razão social, CNPJ, CNAE e endereço), o efetivo total e a lista de setores avaliados com o número de trabalhadores de cada um. Em seguida vem o parágrafo de metodologia, que declara o instrumento usado. No nosso caso, o questionário HSE-IT, validado internacionalmente e com versão validada em português.

A seção fecha com um registro que muitos relatórios esquecem: a participação dos trabalhadores, exigida pelo item 1.5.3.3 da NR-1. Entram aqui as consultas realizadas, a observação direta, os grupos de escuta, as reuniões com a CIPA e a comunicação dos resultados, cada evento com data e número de participantes. Esse registro documenta que a avaliação ouviu quem vive o trabalho, e não apenas quem o gerencia.

2. Identificação dos perigos e fatores de risco psicossocial

Aqui aparece o resultado do questionário HSE-IT por setor: quantos trabalhadores responderam, qual o efetivo e qual a taxa de adesão. Depois, as sete dimensões do HSE-IT (Demandas, Controle, Apoio da Gestão, Apoio dos Colegas, Relacionamentos, Clareza de Papel e Gestão de Mudanças), cada uma com o escore médio e o nível de risco: baixo, médio ou alto.

Veja um exemplo concreto: em um setor de produção com 18 respondentes entre 22 trabalhadores, adesão de 82%, a média de 3,40 em Demandas classifica a dimensão como risco alto, enquanto a média de 3,75 em Controle fica na faixa de risco baixo. Setores em que ninguém respondeu não são classificados, e o relatório registra isso explicitamente, porque classificar sem dados seria inventar resultado.

3. Avaliação dos riscos ocupacionais psicossociais

A terceira seção documenta o critério de classificação, como pedem os itens 1.5.4.4.2 e 1.5.4.4.2.2 da NR-1. A classificação compara o escore de cada dimensão com os valores de referência publicados pelo HSE britânico. Se você quiser entender essa mecânica em detalhe, veja como interpretar os escores do HSE-IT.

O resultado é apresentado em uma matriz de probabilidade e severidade, com as células em verde, amarelo e vermelho, e os fatores agrupados por prioridade: risco alto (prioridade de intervenção), risco médio (monitoramento e ação preventiva) e risco baixo (manter as práticas atuais). Quando a empresa realizou grupos de escuta, a seção também traz a validação dos resultados com os trabalhadores, com causas apontadas, sugestões e prioridades por setor.

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4. Medidas de prevenção e controle

Para cada setor com risco identificado, o relatório lista medidas organizadas pela hierarquia do item 1.4.1 da NR-1: primeiro as medidas organizacionais, que atacam a organização do trabalho, depois as administrativas e por fim as individuais. A ordem importa. Tratar sobrecarga com palestra de bem-estar, sem revisar metas e distribuição de tarefas, inverte a hierarquia que a norma estabelece.

Cada medida traz prazo, custo estimado, responsável e a referência normativa que a sustenta, como a própria NR-1, a ISO 45003:2021 ou a Lei 14.457/2022. Quando a empresa já mantém um canal de escuta ou de denúncias ativo, o relatório registra a medida como já implementada, o que documenta o que a empresa faz de certo, e não apenas o que falta.

5. Plano de ação em 5W2H

As dimensões classificadas como risco médio ou alto geram entradas no plano de ação, no formato 5W2H: o quê, por quê, onde, quem, quando, como e quanto custa, além da posição na hierarquia de controles. Uma entrada típica: revisar a distribuição de metas do setor de produção, porque a dimensão Demandas ficou em risco alto com escore 3,40, sob responsabilidade do gestor do setor com o RH, em 90 dias, por meio de redistribuição de tarefas e revisão de prazos com a equipe, sem custo direto.

Esse formato existe para que cada risco tenha dono, prazo e método. O modelo de plano de ação em 5W2H mostra a estrutura completa, com mais exemplos de entradas por dimensão.

6. Comentários e sugestões dos trabalhadores

Quando a empresa habilita comentários no questionário, a última seção reúne as respostas de texto livre, sempre anônimas. Existe uma regra de proteção importante: o setor só é nomeado quando tem 5 ou mais respondentes. Abaixo disso, os comentários são agrupados sem identificação de setor, para preservar o anonimato. Em um setor de 3 pessoas, seria fácil deduzir quem escreveu o quê.

Depois de gerado, o relatório permanece editável pelo responsável técnico. As seis seções são o ponto de partida, e o profissional ajusta o texto ao contexto da empresa antes de integrar o conteúdo ao PGR.

Como o relatório entra no PGR

O relatório não substitui o PGR. Ele produz o conteúdo psicossocial para integrar ao inventário de riscos e ao plano de ação, os dois documentos mínimos do item 1.5.7 da NR-1. A classificação por dimensão e por setor vira as linhas psicossociais do inventário, e as entradas em 5W2H entram no plano de ação ao lado das ações dos demais riscos ocupacionais. O modelo de PGR com riscos psicossociais mostra onde cada parte se encaixa na estrutura do documento.

Erros que enfraquecem o relatório

Questionário próprio sem validação. Um formulário improvisado não tem valores de referência publicados, então a classificação vira opinião. Use um instrumento validado e declare qual é na metodologia.

Critério de classificação não documentado. Os itens 1.5.4.4.2 e 1.5.4.4.2.2 da NR-1 pedem critérios registrados. Um relatório que diz "risco alto" sem explicar de onde veio o corte não se sustenta em uma revisão técnica.

Adesão não registrada. Uma média calculada com 4 respostas em um setor de 40 pessoas não representa o setor. Registre participantes, efetivo e taxa de adesão por setor, e veja as boas práticas de aplicação do questionário para elevar a participação.

Anonimato frágil em setores pequenos. Nomear um setor de 3 respondentes em comentários ou escores expõe as pessoas e mina a confiança na próxima aplicação. Agrupe setores pequenos ou omita a identificação.

Plano de ação sem dono nem prazo. Medida sem responsável e sem data é intenção, não plano. O formato 5W2H obriga a preencher os dois campos, e é isso que torna o documento auditável e útil para a gestão.

Perguntas frequentes

Preciso ser psicólogo para elaborar o relatório?

Não. A NR-1 não exige psicólogo para a avaliação de riscos psicossociais no GRO. O documento deve ser elaborado por profissional tecnicamente capacitado, como o técnico ou o engenheiro de segurança responsável pelo PGR, com um instrumento validado na etapa de identificação.

O relatório substitui o PGR?

Não. O relatório documenta a avaliação de riscos psicossociais e gera o conteúdo psicossocial para integrar ao inventário de riscos e ao plano de ação do PGR. O PGR continua sendo o documento do GRO da empresa.

Quantos trabalhadores precisam responder ao questionário?

A NR-1 não fixa um número mínimo de respondentes. Registre a taxa de adesão por setor no relatório. Setores sem respostas não podem ser classificados, e o anonimato deve ser preservado nos grupos pequenos, com agrupamento de setores quando necessário.

Qual instrumento usar na identificação dos fatores de risco?

Um instrumento validado. O HSE-IT tem 35 itens em escala Likert de 1 a 5, cobre 7 dimensões, é de domínio público e tem versão validada em português. A aplicação leva cerca de 8 minutos por trabalhador.

A avaliação de riscos psicossociais ainda é obrigatória em 2026?

Sim. A decisão do STF na ADPF 1316, de junho de 2026, suspendeu por 90 dias apenas as sanções administrativas e abriu um processo de conciliação. A obrigação de gerenciar os riscos psicossociais no PGR permanece em vigor, assim como a responsabilidade civil e trabalhista da empresa. Veja os detalhes na página sobre a decisão do STF que suspendeu as sanções da NR-1.

Posso editar o relatório depois de gerado?

Sim. As seções do relatório são editáveis pelo responsável técnico antes da integração ao PGR, para registrar particularidades da empresa e as medidas já adotadas.

Veja o relatório com os dados da sua empresa

Cadastre uma empresa e veja a prévia do relatório psicossocial em minutos, com respostas simuladas, antes de aplicar o questionário. A prévia mostra as seis seções deste guia preenchidas, com marca d'água de exemplo. Quando os trabalhadores respondem ao questionário, o relatório real fica pronto, com o conteúdo psicossocial para integrar ao inventário e ao plano de ação do PGR.

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Referências

Brasil. Portaria MTE 1.419/2024 e NR-1 (itens 1.4.1, 1.5.3.3, 1.5.4.4.2 e 1.5.7).
Supremo Tribunal Federal. ADPF 1316, decisão liminar de 26 de junho de 2026.
Health and Safety Executive. Management Standards Indicator Tool e manual do usuário. Disponíveis em hse.gov.uk.
Edwards, J. A.; Webster, S. Psychometric analysis of the UK Health and Safety Executive's Management Standards work-related stress Indicator Tool.